A Zona Vermelha é a capital do sexo e das drogas. Ela fica em Amsterdam, num bairro iluminado por luzes vermelhas e adornado por seres atípicos. Lá, nada é proibido. As drogas são vendidas por sujeitos bastante peculiares, que falam rapidamente e se irritam diante de alguém sóbrio. O sexo é pago, mostrado e exaltado. Mulheres encontram-se nas janelas das casas em trajes ínfimos e se oferecem para os passantes com gestos explícitos. Sex-shops pululam como coelhinhos no cio. Homens e mulheres sedentos por sexo completam o cenário.
Nunca usei drogas nem paguei por sexo. Mas sou curioso. Queria conhecer aquele lugar, desbravar-lhe os meandros e compreender-lhe o espírito. Ao contrário do que eu esperava, os comentários que eu ouvira não exageravam acerca do clima permissivo de sexo e drogas. Nossa incursão começou numa rua parcamente iluminada. Estávamos ali só eu e o Fábio, carioca que morava na Holanda. Um grupo passou por nós, vagarosamente. Olhei para o lado, e o menorzinho avançou. “Skank, skank“, disse, com olhos marejados. Ao ver minha negativa, ele tentou “Marihuana?” (maconha) e outra substância ininteligível. Apressamos o passo e chegamos à avenida principal. O vermelho iluminava as ruas e contornava as janelas preenchidas pelas prostitutas.
“Olha ali”, disse o Fábio, apontando para uma sex shop. Entramos. Era grande, com muitos produtos, acessórios e vestimentas. Tinha fitas de vídeo, dvds e cabines para quem quisesse assistir aos filmes e se divertir por conta própria. A mesma descrição poderia ser utilizada para todas as outras sex shops. O que mudava eram os clientes. Em certo momento, na terceira ou quarta loja, vimos um casal de velhinhos entrar. Em menos de quinze minutos, eles saíram com muitas compras: aparelho para aumentar o tamanho do pênis, máscara de couro, revistas pornográficas, bolinhas que serviam para algum método desconhecido de perversão e outras bizarrices. Para satisfazer nossa curiosidade, saímos da última sex-shop decididos a perguntar para uma das mulheres quanto seria um programa. “Cinqüenta Euros”, ouvi a loira, com o dedo médio entre os lábios, sussurrar para o Fábio. Minutos depois, ele completou a informação, incrédulo: “por vinte minutos”. Me aproximei de uma janela para indagar preços, também. Subitamente, uma porta atrás de mim se abriu, e fui puxado para dentro. Era uma prostituta gorda, enterrada num microbiquíni rendado, que deixava transparecer tudo aquilo que eu não queria. Nunca vi mulher tão grande nem tanta impetuosidade para perpetuar venda. Ela ficou me encarando, os olhos redondos brilhando, e eu lhe perguntei o preço, já dando um passo para fora. Ela respondeu: “15 euros”. Agradeci, me desvencilhei dos braços dela e saí correndo em direção ao Fábio. “Quanto ela te ofereceu?”, perguntou ele, rindo. Era hora de encerrar nossa aventura.
Terminamos a noite, às 4h da manhã, comendo Kebab, num restaurante indiano. Durante a refeição, vimos que as personagens da Zona Vermelha permaneciam trabalhando, se divertindo, olhando, escutando e sentindo as coisas estranhas que se sente quando se está na capital mundial do sexo. Enquanto nos dirigíamos à estação de metrô, as luzes continuavam acesas, os sorrisos pervertidos dos turistas permaneciam férreos. Os maconheiros de bicicleta encarando os turistas japoneses, e as imagens da Zona Vermelha se esvaindo e desbotando. Naquele momento, tive certeza de que a minha seria igual a todas as outras descrições: um rascunho minimalista de um monstro complexo, despudorado, hipnótico e vermelho.
Compartilhe!Posts Relacionados:

1 comentário até agora ↓
1 Cler Oliveira // 08/11/2007 às 14:01
Adoooooooooooooro teus escritos, hehehe.. Lembrei-me de uma coisa bem interessante. No Second Life tem essa parada de Amsterdan. Ainda nao visitei, mas não vai custar nada dar uma passada lá. Exceto se eu tiver a fim de sexo e droga, porque, pelo que vejo, a unica coisa de graça é o roquienrrol, hehehe.
Vale muito por lá.. dá uma olhada.
http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,AA1298947-7084,00.html
Deixe seu comentário!