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Mentes Inquietas: Pululem Criativas

09/11/2007 · Sem comentários

Bem-vindos ao mundo da ilusão consciente, queridos amigos. Bem-vindas, mentes inquietas. Pululem por aqui, pululem.

Bem-vindo seja aquele que não planejou sua vinda. Aquele que já passou por aqui muitas vezes e agora retorna. Bem-vindo seja aquele que não sabe o que tudo isso significa, mas releva. Aquele com ânsia, cuja alegria ou tristeza só existe quando muita, quando enorme. Bem-vindo seja aquele cuja alma poluída ainda professa. Aquele cujos olhos ainda brilham, ao menos à meia luz. Bem-vindo seja aquele que ensina o que os outros nunca vão entender, mesmo que isso se esfregue na sua cara repetidamente. Aquele que deita à cama planejando sonhos incríveis e que não se importa com a torrada do café da manhã. Bem-vindo aquele cujo despertar se dá nas pequenas partes de um refrão bonito. Bem-vindo o que entende que ninguém é bom nem mau e que todos os conceitos são relativos. E que por isso se isola numa profusão de idéias explosivas, que se contrapõem em paralelos distintos.

Que este canto lhe seja não um lugar de reflexão, mas de descanso, pois a reflexão mata as idéias, enquanto o descanso as cria. Que este canto lhe seja proveitoso, assim como o ritmo da bateria, o solo da guitarra, a palavra do eloqüente orador, a emoção da estrela de cinema, a urgência das abelhas em pânico. Que este canto lhe sirva de consolo e de amparo, pois só assim as idéias se proliferam sem hesitação. Que este canto seja a mão que lhe afaga os cabelos, enquanto o grito até então contínuo se dissipa. Que este canto lhe seja a confirmação do pecado, o único lugar a que você pode recorrer. Que este canto lhe cochiche baixinho que está tudo bem, mesmo que a ilusão comece a fenecer.

Que este seja o teu canto de fuga. O teu canto de fúria. De temor. De abismo. De vontade. Que este seja o teu canto de morte. O teu canto de vida. De amor. De recomeço. Que este seja o teu canto de encanto. O teu canto de magia. De segredo. De intenção. E que aqui a vontade lhe tome por inteiro, pelo menos por um átimo.

Ordeno-lhe que arranque seu coração e esmague-o com força, para que nunca mais duvide de si mesmo. Atire-se de pára-quedas agora e não olhe para baixo. Quando lhe pedirem dinheiro na rua, não dê nenhuma moeda. Jogue sua carteira no chão, dispa-se da camiseta e da calça. Corra. Seja sincero um momento pelo menos, e a vida poderá lhe tomar mais uma vez.

Entenda que o princípio do fim não existe, mas que todo o cálculo acerca disso é válido, porque todo o resto também o é. Entenda que nada está perdido enquanto apostas e poetas existirem. Entenda que fatores nunca são previsíveis, e que essa imprevisibilidade lhe dá todo o amparo para qualquer decisão. Entenda que, se dez anos passam vagarosamente sem que nada aconteça, a única coisa necessária para que algo ocorra é uma atitude.

Embora as interpretações do momento possam parecer atraentes, experimente, um dia, esquecer de significados e simbologias. E simplesmente desaparecer no limiar ínfimo entre vontade, desejo e imaginação. As fronteiras se desfazem. Os muros do ego caem. Às ruínas volta. E a chuva vem. Com vontade.

Este é o canto do sofrimento consciente. O afago, às vezes, pode doer. Mas é assim que tratamos os nossos doentes. Seja bem-vindo.

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