“As probabilidades são as mesmas: o falso bandido é o verdadeiro mocinho, ao mesmo tempo em que o contrário não é ilusão. Libertem os prisioneiros do mal, prendam os cidadãos de bem. Nada muda.”
(4 de julho de 1977, Charles Keston – jornalista norte- americano, pouco antes de ser internado como caso grave de alienação no Mental Health Institute, em Nova Iorque)
I
Ele era um vegetariano convicto, extremamente preocupado com seus hábitos alimentares e higiênicos. Não fumava nem bebia. Levantava cedo todo dia e tomava o café-da-manhã rigorosamente no horário. Durante a tarde, passava várias horas desenhando e pintando. Seu sonho: estudar na faculdade de Belas Artes de Viena. Seu nome: Adolf Hitler.
II
Ele, às vezes, chega ao quarto tropeçando, de tão bêbado que está. Esquece o nome de pessoas facilmente. Não raro, também esquece de tomar banho por 3, 4 dias, o que lhe confere um odor nada agradável. Além de esquecido e bebedor, usa drogas. Êxtase, principalmente. Seu sonho: ganhar muito, muito dinheiro, a fim de ajudar as pessoas carentes. Sua profissão: levantador de fundos para caridade.
III
Ela cuidava de seus filhos com todo carinho do mundo. No parque, rolava no chão, fazia barulhos bobinhos com a boca, mostrava a língua, cantava e encenava. Esforçava-se ao máximo para que a ausência do pai não fosse sentida pelos garotos. À noite, deixava-os com a vovó e voltava para casa. Maquiagem, depilação com cera, perfume, brincos, banho de espuma e rua: Giovanna era uma prostituta.
IV
O John é um sujeito entusiástico e criativo, Diretor de Criação de uma agência de publicidade. Ele sorri para todos e cumprimenta efusivamente seus companheiros de trabalho, como se cada um deles fosse unicamente especial. Isso produz excelentes resultados nos anúncios e propagandas. No entanto, quase todo dia, ao entardecer, depois do expediente, John entra no elevador e sobe até o último andar. De lá, sobe as escadas até o terraço. Ali, observa o sol se pôr e chora imaginando todas as injustiças desse mundo tão cruel, todas as crianças que passam fome, todos os animais que são brutalmente assassinados e lembra com detalhes do dia em que ele próprio botou fogo na casa de seus pais. Pensa sempre em pular, mas resiste.
“Assim como a aparência externa, a interna, isto é, os valores de moral e conduta de uma pessoa, também enganam, pois são subjetivos. Porquanto nunca ignore o sorriso de seu inimigo, por mais malicioso que lhe possa parecer. Nem o de seu amigo – companheiro, fraterno, solícito, confiável… Inimigo?”
(11 de setembro de 2001, Mohammed Cahund, afegão, construtor e amigo)
V
O julgamento de um indivíduo só é feito por outros indivíduos. Mesmo que todos os seres humanos fossem perfeitos – capacidade total de avaliação -, o julgamento não poderia ser levado em conta por outros, já que o termo “perfeição”, que usualmente se usa como parâmetro, é absolutamente subjetivo.
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