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A Revolta de Kramer

12/11/2007 · 6 comentários

Michael Richards, famoso por ter interpretado o exótico Kramer no seriado Seinfeld, anunciou aposentadoria em julho, apesar de sua carreira ter acabado, na verdade, em novembro do ano passado. No dia 17 daquele mês, o humorista protagonizou uma das cenas mais chocantes da história da comédia norte-americana.

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 Durante um show de humor, uma câmera de celular flagrou Richards mandando negros calarem a boca, dizendo que, em outros tempos, eles poderiam ser enforcados por estarem atrapalhando e, finalmente, chamando-os de “nigger” seis vezes – termo extremamente ofensivo naquele país. Alguns dias depois, Richards apareceu no programa de David Letterman para pedir desculpas, junto com seu antigo parceiro de humor Jerry Seinfeld.

Visto por mais de um milhão de pessoas no YouTube, o vídeo mostra Richards visivelmente abatido, interagindo com o entrevistador por meio de videoconferência. No início de sua fala, a platéia começa a rir. Não parece acostumada a ver aquele indivíduo extravagante em situação tão perturbadora. Jerry Seinfeld interfere e pede que o público não ria. Richards recomeça lentamente, tentando organizar o pensamento e tendo de articular frases de forma séria, sem movimentos escandalosos de braços, tiques nervosos e outros trejeitos característicos de seus personagens. Ele afirma que os homens a quem xingou estavam atrapalhando o seu número, fazendo barulho e falando alto.
 
Em outro vídeo do YouTube, é possível acompanhar a cena de sua revolta contra os afro-descendentes barulhentos. Dá para perceber a tentativa que ele empreende de levar a sua raiva para o campo da comédia. Mas o assunto com o qual ele mexe é delicado demais para tal transposição. Falar a palavra nigger no tom que ele utilizou não se justifica, mesmo no calor de uma encenação de humor.
 
Em sua explicação, ele comenta um dos atenuantes do caso. Richards sempre foi movido, em cena, por seu instinto e por seu envolvimento completo na piada. Em alguns episódios de Seinfeld, ele se machucou de verdade por conta de seus improvisos, que muitas vezes envolviam quedas e batidas diversas. Antes do seriado, o humorista aparecia em programas como o Late Show interpretando tipos realmente malucos que surtavam no palco.

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Dessa vez, o surto não teve graça. E a platéia não conseguiu assimilá-lo. Por isso, o que mais impressiona no vídeo das desculpas não é o abatimento e a tristeza de Michael Richards, e sim os risos da platéia. A cada momento de silêncio, a cada gesto, o público gargalhava, embora soubesse da seriedade do assunto. As pessoas pareciam querer escutá-lo dizer que fora tudo uma grande brincadeira e que uma próxima temporada de Seinfeld estava sendo preparada.

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Essa surpresa não ocorreu. Seinfeld não volta, e Michael Richards se aposentou em julho deste ano para se “curar espiritualmente”.

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Tags: coisinhas crocantes · televisão · txt





6 comentários até agora ↓

  • 1 Diego // 01/12/2007 às 4:36

    Bom, primeiro de tudo, qualquer coisa que eu escrever aqui depois desse seu texto, vai ser chover no molhado, creio que depois do que você escreveu, qualquer pessoa que não esteja pré-disposta a atacar o Michael Richards independentemente dos fatos, não terá o que dizer.

    Mas como brasileiro, pela própria ‘formação’ da nossa sociedade, com tanta mistura de raças, cores, religiões, etc, fica dificil fazer uma avaliação mais racional do que aconteceu.

    O problema de tudo isso é a hipocrisia que o ser humano carrega consigo de sempre querer esconder os sentimentos que a sociedade julga como impróprios.

    Não existe ninguém que não tenha um ‘preconceito’, quem falar que não tem preconceito algum, sabe que está mentindo e sabe que não está enganando ninguém, senão não existiriam piadas sobre loiras, negros, portugueses, judeus, evangélicos, cariocas, paulistas, mineiros e afins.

    Não sou adepto da ‘desculpa’ que muitos brancos dão, dizendo que os negros são mais preconceituosos que os brancos, é mentira, hipocrisia, acredito que os níveis de preconceitos sejam exatamente os mesmos dos brancos para com os negros e vice-versa, a diferença é que um negro pode fazer uma musica chamando um branco de ‘white-ass’ ou ‘crack-ass’ e as mulheres de ‘white-chicks’, que isso é interpretado pela nossa sociedade hipócrita como ‘liberdade de expressão’, enquanto um branco chamando um negro de ‘niggah’ é visto por essa mesma sociedade como um ‘racista filho da puta’.

    Não existem certo ou errado nessa historia, do mesmo jeito que um erro não justifica o outro, os negros conquistaram sua liberdade de expressão depois de muita luta e muito sangue, ao ponto de terem de certa forma invertido o jogo, onde uma letra de hip-hop pode conter todos os similares pejorativos de ‘branco’ e ser considerada poesia, enquanto um Michael Richards, pelo fato de falar ‘niggah’, já ser um fato ‘criminoso’ o suficiente para acabar com a sua carreira.

    A palavra Niggah é pesada? Não tenho a menor duvida disso, mas alguém ja viu alguem perguntar para um branco ou para uma mulher o quanto eles se sentem ofendidos com os ‘apelidos’ cantados em um rap?

    Enquanto esse tabu existir, nós nunca vamos superar o problema real do preconceito, que é a hipocrisia que está dentro de nós.

    Aos nossos irmãos negros, a unica coisa que eu posso dizer é que admiro a luta pela liberdade que eles travaram no passado, e reconheço toda a injustiça e filha-da-putisse que nós brancos fizemos, mas os negros não precisam de leis ‘contra-racismo’, cotas em faculdades e nada disso, pelo simples fato de nós sermos todos iguais.

  • 2 Sérgio |Tenório // 10/12/2007 às 17:59

    Não preciso dizer mais nada..parabens Diego!
    Ah, se todos tivessem essa visão realista e não pejorativa, que alguns racistas camuflados tem, e se aproveitam de qualquer deslize, movido pela raiva, de alguem para aflorar seu auto-racismo.
    branco, negro, indio, japonês…é tudo farinha do mesmo saco.
    Na hora da raiva todo mundo fala besteira,seja branco, negro, azul ou roxo.
    nem 100% negro , nem 100% branco, somos uma mistura de raças…
    Quem tem grana não sofre preconceito..seja ele da cor que for…

  • 3 A revolta de Sérgio e Diego - A Revolta de Kramer -- Seinfeld Michael Richards racismo | GuGo! // 15/12/2007 às 19:24

    […] Diego. Oi Sérgio.Vocês comentaram indignados no texto A Revolta de Kramer, que publiquei há algum tempo no blog. Pois aqui eu […]

  • 4 rai // 05/01/2008 às 6:57

    Diego…
    É claro que existe errado nessa história! Todas as pessoas que não respeitam as diferenças das outras sejam elas brancas ou negras, gordos ou magros, homem ou mulher, etc… não interessa!
    A pessoa pode até sentir uma certa discriminação mas expressa-la de uma forma que a outra se sinta ofendida é errado.

  • 5 A criação de Cosmo Kramer: entrevista exclusiva com Kenny Kramer, a inspiração para o personagem mais atrapalhado de Seinfeld | GuGo! // 14/05/2008 às 1:47

    […] Você acha que Michael Richards vai se recuperar daquele episódio triste? (No ano passado, o ator irritou-se com espectadores negros que faziam barulho durante […]

  • 6 thais negrão rodrigues // 31/05/2008 às 1:50

    eu acho que sim quem nunca deu um fora na vida atire a primeira pedra!!!

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