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Texto Velho - Sobre Michael Jackson

20/11/2007 · 2 comentários

Na última segunda-feira, dia 13 de junho, o tribunal de Justiça de Santa Maria, nos Estados Unidos, inocentou Michael Jackson de todas as acusações. Durante cinco meses, pesaram em suas costas acusações da pior sorte, inclusive as de estupro e aliciamento de menores. Quando todos esperavam uma decisão desfavorável ao astro, o júri reagiu unanimemente: Jackson foi considerado inocente. Passado o julgamento, desprezando completamente os conceitos de certo e errado, culpado e inocente, cabe um questionamento: o que levou Michael Jackson pela segunda vez ao tribunal? 

Creio que a resposta esteja em sua infância. Lá naqueles primeiros momentos de fama, quando ele empurrou o Jackson 5  - banda da qual fazia parte, composta por ele e quatro irmãos - ao encontro do sucesso absoluto. O garotinho bem-arrumado, de pele negra, que cantava e dançava como ninguém, tinha um pai que o atormentava. Que o fazia ensaiar mais, e mais, e mais. Essa obsessão do pai pelo sucesso dos filhos afetou Michael de uma maneira profunda. O resultado financeiro e artístico surgiu em pouco tempo.  Michael Jackson transformou-se em ídolo precocemente. Ele não precisava freqüentar escola, ele não possuía trabalho normal e não corria atrás das garotas. Ele era Michael Jackson, o ídolo do Pop, desde os cinco anos. O resultado psicológico disso apresentava-se imiscuído entre as ilusões da fama e ainda encontra-se em desenvolvimento.  

Não tenho a mínima idéia do que passa na cabeça de Michael Jackson. Mas posso tentar descobrir. O que passa na cabeça dele é o que passa na cabeça de alguém que nunca foi normal. Que nunca pôde sair à rua despreocupado, sem que milhares de fãs o chateassem. Que nunca pôde fazer festa sem que fosse notado. Que nunca pôde ser um Michael qualquer ou um Jackson qualquer. Que nunca pôde cantar no videokê sem ser julgado. Que nunca pôde decidir: “que será que eu quero ser quando crescer?”. Alguém assim não vive sem a opinião alheia. Alguém assim é, na verdade, o reflexo de uma multidão, que o aprisiona em seus atos passados. Alguém assim não tem oportunidade de evoluir, porque possui fãs que não concordariam. Alguém assim não pode expressar opiniões sinceras, pois alguma delas poderia derrubar mentiras erigidas pelos outros. Alguém assim é escravo de sua imagem. E alguém assim parece ser Michael Jackson. 

Imaginem se ele decidisse amanhã ser um pedreiro. Imaginem a declaração: “gente, me cansei da música, me cansei das crianças, quero me dedicar a algo totalmente novo: os tijolos”. Imaginem os classificados: “me ofereço para trabalhar, e meu nome é Michael Jackson”. Imaginem as revistas de fofoca o contratando para serviços irreais com o único fim de entrevistá-lo e o ridicularizar. Imaginem a reação dos advogados, para quem o astro deve milhões de dólares. Imaginem os protestos dos fãs. Imaginem a chacota dos cronistas. 

Milhões de discos depois do Jackson 5, Michael construiu um parque de diversões em sua casa, chamado NeverLand (“Terra do Nunca”, em português). O nome, inspirado na história de Peter Pan, o menino que nunca crescia, torna clara a intenção do cantor de não querer envelhecer. Se ele não quer envelhecer, é porque provavelmente prefere crianças a adultos. Se ele prefere crianças, deve haver um motivo. Se há um motivo, não custa continuar o exercício de imaginação e engendrar uma rápida racionalização para deduzir que a preferência por crianças deve-se ao fato de que elas julgam menos do que os adultos. As crianças aceitam Michael Jackson como ele é. A elas não interessa se sua carreira está em decadência, se ele deve milhões de dólares, se ele é homossexual ou não. Às crianças só interessa que ele as coloca para dormir, lê histórias e lhes dá leite.  Quando ele vai para a cama com menores de idade, ele não os alicia nem estupra. Ele conversa com amigos.

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Tags: coisinhas crocantes





2 comentários até agora ↓

  • 1 Nando // 20/11/2007 às 9:52

    ” O que passa na cabeça dele é o que passa na cabeça de alguém que nunca foi normal. Que nunca pôde sair à rua despreocupado, sem que milhares de fãs o chateassem. Que nunca pôde fazer festa sem que fosse notado. Que nunca pôde ser um Michael qualquer ou um Jackson qualquer. Que nunca pôde cantar no videokê sem ser julgado.”

    Eu tenho esses problemas e nunca fui ao Tribunal. Hehehehe!!

  • 2 eliete dias // 26/03/2008 às 13:36

    amei este texto ,falou muito bem, com respeito ,parabens ,

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