O medo deixou Péricles Renato, à medida que o pavor lhe tomou conta. “Onde tá o cinegrafista, pô?”, gritou uma terceira voz. Péricles não estava mais tremendo. Estava tendo convulsões de pavor. Eles sabiam! De tão loucos, adquiriram poderes para-normais. Péricles catou o walkie-talkie e sussurrou: “Socorro, eles sabem”. Pessoas se mexiam perto dele. Péricles estava deitado embaixo de um arbusto, percebendo cada vez mais vozes se juntarem às duas iniciais. Segundos depois, o walkie-talkie apitou novamente, e uma voz saiu chiada: “Que o jogo comece”. Péricles Renato arregalou os olhos e procurou uma balinha de manta no cinto. Mas, antes da balinha, encontrou um objeto estranho, ali no chão. Era maciço, metálico e… Meu Deus: tinha uma lente. Péricles havia descoberto uma câmera.
Os ninjas sudaneses lhe advertiram, quando o seqüestraram, que “nada é o que parece”. Péricles fechou os olhos e se concentrou: era tudo ilusão. Quando abriu os olhos, deu de cara com o anãozinho, que havia se enfiado por debaixo do arbusto. O anão sorriu e saiu correndo para dentro da casa. Péricles pegou o walkie-talkie: “vou embora”. E o walkie-talkie revidou: “não vai, não”. Começou a chover. Péricles colocou a cabeça para fora do arbusto. Alguns rostos assomaram por trás da porta de vidro. A Xuxa abriu os braços e gritou: “Baixinho, baixinho”. O anão pulou no colo dela.
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