O juiz federal Carlos Alberto Simões de Tomaz, da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, decidiu: a comercialização dos jogos Counter Strike e Everquest está proibida em todo o território nacional. O primeiro constitui-se de uma batalha tática entre duas equipes - uma de policiais e outra de terroristas. O segundo é um RPG online, evolução de um nicho de jogos iniciado pelo famoso - e, para muitos, nostálgico - Ultima Online.
O motivo da proibição é que esses jogos são considerados “impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, todos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor”. Em Goiás, o Procon já está recolhendo cópias do jogo e promovendo a exclusão deste das lan-houses.
Leia a notícia completa no G1.
Para mim, é só mais uma prova de que a justiça brasileira não funciona. Além de não funcionar, ela me assusta. Como pode um juiz ter tempo e competência suficiente para proibir joguinhos de computador? Que tipo de estado democrático é esse? Ainda tem gente que acredita que a censura esteja distante, encontrada somente na China, na Coréia do Norte, em Cuba e na nossa mui querida vizinha Venezuela.
Quando uma proibição absurda como essa ocorre, imagino que a distância para proibicões ainda menos lógicas diminua consideravelmente. Temos um exemplo gaúcho de quão ditatorial pode ser nossa justiça: a música Minha Menina, da Bidê ou Balde, teve sua execução nas rádios proibida alguns anos atrás, por tratar-se supostamente de pedofilia. Por que não proíbem os padres também?
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3 comentários até agora ↓
1 Stand By // 21/01/2008 às 10:57
Disso fiquei sabendo via Twitter e fiquei de queixo caído. Não pela capacidade (já proibiram até o Youtube, lembra? Por motivos mais putarescos, mas não importa…). Mas pela burrice! As autoridades não conhecem nada de internet, virtualidade, games e o caramba e por isso fazem merda adaptando um código civil capenga para questões mais moderninhas. Tudo isso baseado em “achismos” e cinismos.
Não é o fim da várzea porque essa já acabou faz tempo… Aff! Eu “mindiguino” com essas coisas …
2 Paulo Coelho // 22/01/2008 às 1:06
Olá,
Eu jogo Counter Strike há 4 anos, que posso dizer de uma decisão dessas do juiz?
Talvez apenas uma palavra resuma: “ridículo”.
Nosso pais está cada vez mais tomado pela violência, trafico de drogas, etc. Porém não é com esses jogos que os traficantes praticam pode ter certeza, eles tem AR-15, AK-47, granadas “reais e não digitais”
Excelentíssimo Sr. Juiz, esses criminosos de nosso pais não cresceram jogando Atari e Play Station, cresceram sim na miséria, na má distribuição de renda, na impunidade aonde se escondem nossos parlamentares, na corrupção que desvia recursos para educação, saúde, habitação e qualidade de vida para todos.
Já se perguntaram porque americanos, europeus, japoneses vivem com um padrão de vida, cultura, educação invejáveis???
Eu respondo: Porque esses povos pensam numa nação como um todo, aqui é cada um por si, os políticos passam a vida toda criticando corruptos, mas quando se elegem… roubam assim como aqueles que criticavam.
Precisamos esquecer a censura e ditadura de décadas anteriores, vivemos numa democracia.
Estou cansado de assistir a essa demagogia de nosso pais:
Somos obrigados a votar para depois assistir calado a “imunidade parlamentar”.
Somos obrigados a parar em semáforo com radar, mas é justamente lá que o bandido estará a espreita.
Somos obrigados a assistir a uma menor de 15 anos, presa e sendo estrupada a toda hora por mais de 30 homens e isso debaixo da venda da justiça, afinal a justiça é cega não é o que dizem?
Essa lei é como tentar barrar uma formiga, mas deixar passar um elefante…
Atenciosamente,
Paulo
3 admin // 23/01/2008 às 2:11
Paulo! Concordo com a tua visão. E juiz tentando barrar formiga não é coisa que se faça. Poderia estar atuando de 200 formas diferentes para render mais ao país.
Obrigado por comentar. Um abraço!
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