É sempre a mesma história. Demora algumas semanas até que a chamada elite cultural, aquela camada diminuta e supostamente mais exposta à arte do que o resto da população, admita que está assistindo ao Big Brother Brasil. Mas é fato: cedo ou tarde, todos começam a acompanhar o programa e deixam de negar o pecado.Então, boa parcela dessa elite utiliza-se de subterfúgios mesquinhos para justificar a sintonização da Globo depois da novela. Alguns dizem que, sem assistir ao BBB, não teriam como empreender diálogos com outros seres humanos brasileiros. Outros alegam que a exposição do programa é tanta, em tantas mídias diferentes, que se torna impossível ignorá-lo.
De qualquer forma, a conclusão é que milhões de votos são computados, números elevados do Ibope são atingidos - mesmo que não batam os recordes de edições anteriores - e o Pedro Bial continua fascinando - e irritando - moradores da casa e espectadores. Mesmo assim, questiona-se intermitentemente a validade da atração. Diz-se que o Big Brother constitui-se em show de horrores, reunião do bizarro, construção de realidade pré-moldada, farsa descarada, simples desfile de beldades e agrupamento de mentes pouco desenvolvidas.
Esses julgamentos não me parecem verdadeiros. Quem condena o Big Brother talvez assista a um ou dois programas que tropeçam em alguns itens acima: Domingão do Faustão, Domingo Legal, Pânico na TV, vendas do shoptime, qualquer coisa da MTV americana, qualquer filme dublado, sessão da tarde, Ana Maria Braga, novelinhas da Record e do SBT, novelas da Globo e até seriados da Warner e da Sony.
Se não há nenhuma manipulação consciente dos resultados e ações no Big Brother Brasil, pode-se assistir-lhe por motivos sinceros e justificáveis. Se tudo ali for verdade, então o programa é uma amostra muito interessante de realidade simulada. E, exceto por critérios de escolha de participantes, acho um experimento válido. Todos têm interesse pelas relações humanas. Como reagem seres em confinamento e observação constante, que são testados e julgados por milhões de pessoas no Brasil inteiro?
Com exemplos recentes, pergunto: Como reage a dona de casa às declarações sexuais de Natália? E aos seios à mostra? E aos beijos? E às provas de resistência? E às introduções do Bial? E às briguinhas, às dissoluções de grupo, às dissimulações, ao participante negro, à participante lésbica, ao participante que se diz gay e psiquiatra, ao que tem ciúme, à que é motivo de ciúme, ao que…?
O Big Brother não é só um experimento interessante pelo que se vê na tela, mas pela discussão que o seu conteúdo acarreta.
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Agora, vamos ao que importa. Quem sai no Paredão triplo de hoje? Gy, Alexandre ou Thati? Eu acho que sai o Alexandre.
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