Aos 45 do segundo tempo, em um jogo empatado, o jogador tentou dominar em um cruzamento dentro da área adversária, mas a bola rebateu em seu joelho e entrou com força, no ângulo.
A partir daquele episódio, o jogador decidiu que só faria gols de joelho. Em vez da cabeça, ele erguia a perna, esperava o momento certo e contorcia-se para acertar o joelho na bola. Por um desses mistérios inexplicáveis do futebol, quase sempre dava certo. Eram os gols mais bonitos da partida. Em pouco tempo, os jogos começaram a lotar de torcedores, curiosos e jornalistas de todo o mundo que queriam ver o joelho do artilheiro em ação.
Com uma média arrasadora de gols, o jogador foi levado ao PSV, da Holanda. Lá, realizou trabalhos físicos, ganhou massa muscular e aperfeiçoou ainda mais o estilo de sua joelhada. No campeonato holandês daquele ano, fez 22 gols. 21 de joelho e um, por descuido, de coxa. Esse não foi contabilizado pelo jogador. Mas o que marcou sua passagem pelo PSV foi uma descoberta: a técnica de fazer gols de joelho com a bola rasteira.
Essa técnica valorizou ainda mais o seu passe. Era um fenômeno: fazia gol de joelho até cobrando falta. Depois de um desses gols impossíveis, levaram-no para o Barcelona por muitos milhões de dólares. Nessa época, o jogador registrou em cartório o gol de joelho característico e passou a cobrar royalties de quem tentasse imitá-lo. Como todos queriam aprender e colocar o truque em prática, fez fortuna.
Até que, em um mau momento de uma partida já ganha, Ronaldinho cruzou na cabeça do jogador. Ele mirou a bola, que vinha suavemente em sua direção, e arregalou os olhos. Teria de fazer o gol de cabeça. Em milissegundos, porém, tomou uma decisão que mudaria novamente a sua vida. Pulou mais do que o necessário e, em vez de acertar a testa na bola e esmurrá-la para dentro do gol, esticou o nariz e fez o gol mais lindo de toda a história do futebol.
Ali mesmo, com o nariz sangrando e severamente machucado devido ao choque violento do remate ao gol, o jogador anteviu todos os problemas que se seguiriam. Demoraria a dominar a nova técnica, se machucaria constantemente, seria prejudicado pela altura e acabaria tendo de jogar em um time menor. Mas não havia jeito. A partir daquele instante, em que a torcida vibrava como se não houvesse amanhã e como se Pelé fosse só um lampejo mínimo e distante, ele decidiu que só faria gols com o nariz.
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