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O progresso moral é uma fantasia

29/04/2008 · Sem comentários

O progresso moral é uma fantasia. Ele nunca ocorreu nem jamais ocorrerá. A moral é o código invisível de leis que rege a dinâmica dos indivíduos de uma sociedade. É o que o ser humano leva em conta no processo de reação. Quando algo o afeta, de qualquer forma que seja, há um lapso de tempo até que ele execute uma ação. Durante esse período, acontece a análise do que lhe sucedeu. Agregam-se todas as informações sobre o ocorrido, todas as implicações de suas possíveis ações e a antecipação de como a sociedade reagiria diante de cada uma dessas atitudes. Ao longo desse último processo, de reflexão do ocorrido por meio da ótica da comunidade em que o indivíduo se insere, há a aparição das leis morais. Elas constituem-se em um dos fatores que levará o sujeito a moldar sua decisão. Portanto, os seres humanos moldam as suas atitudes de acordo com a sociedade.

Como a sociedade está constantemente em evolução – o que não quer dizer “progresso” -, a moral se transforma juntamente com ela. O contexto histórico determina como uma ação é avaliada pela sociedade. Séculos atrás, não se achava que a existência de escravos fosse imoral. Hoje escravos não existem porque se lutou muito para que se abolisse sua condição sub-humana. Mas na atualidade há outros exemplos interessantes que evocam grandes conflitos éticos. Quando caminhamos pelas ruas e vemos pessoas mendigando, em trapos, obviamente tendo dificuldades em se alimentar e seguir vivendo, quantos de nós paramos e perguntamos o que houve de errado e tentamos ajudar? Há simplesmente a distinção: lá estão os pedintes, nós estamos aqui do outro lado. Se me pedirem, eu ignoro. Se não pedirem, agradeço muito. São indivíduos exatamente como nós que, por alguma razão, encontram-se em extrema dificuldade. Mesmo assim, são tratados como párias da sociedade moderna. Então, qual é a distinção entre as duas situações? Sim, eles não são mais tratados como escravos, mas será que estão felizes com a mudança? Agora, nem que queiram, poderiam trabalhar por comida. Têm ainda menos valor que os escravos, que tinham ocupação e lugar na sociedade – mesmo que fossem alheios a ela.

O progresso moral não existe, pois tal coisa nunca poderia ser avaliada. Como dizer que evoluímos se, mesmo com tanto conhecimento, ainda sobram injustiças e insensatez? Hoje sabemos muito mais sobre natureza, tecnologia, geografia, matemática, física e sobre nós mesmos do que há anos atrás. Mesmo assim, essa discussão do progresso moral ainda não acabou. Até que se entenda que a moral não se configura como um objeto de estudo maniqueísta, a discussão prosseguirá. Não há bom ou mau – apenas experiências negativas e positivas de seres humanos lutando pela sobrevivência.

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Tags: coisinhas crocantes





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